LIVRO - Psicanálise E Estéticas De Subjetivação
Seria demais dizer que o cinema inventou a psicanálise. Mas antes de Freud deitar os seus pacientes no divã, já existia um sonho de materializar o nosso imaginário através da projeção de imagens, depois em movimento. Por uma feliz coincidência, cinema e psicanálise tem o mesmo ano de 1895 como data de nascimento.

O inconsciente coletivo materializou-se com o invento estarrecedor dos irmãos Lumière, numa antevisão das maravilhas que poderíamos esperar do século XX. Também naquele ano Freud introduziu a sua ‘psico-análise’, com o vasto campo aberto para as mentes fazerem livres associações de imagens, lembranças, idéias, desejos, libidos, frustrações e condutas criptografadas de outras enfermarias.

As vias da psicanálise que começavam a decifrar os códigos do inconsciente passaram a nos mostrar o caminho inverso através do cinema, excitando ainda mais o nosso imaginário. É o que esta coletânea de ensaios, organizada por Giovanna Bartucci nos oferece: “uma interlocução profícua”, como ela mesma diz, e a sublimação da arte de um século em que pensar continua significando resistir.

Leon Cakoff, Crítico de cinema, Diretor da Mostra Internacional de Cinema