LIVRO - A Doença Da Morte: Um Direito De Asilo
A Doença da Morte (de Marguerite Duras) é um texto surpreendente, do começo ao fim. Ele nos toca como um silêncio, se é que se pode referir assim a algo cuja matéria e espessura é dada pelas palavras. Trata-se de um encontro anônimo, mineral, entre ele e ela, um encontro de fluxos pulsantes da vida, onde choros, corpos, suores, sexos e mortes celebram a tentativa do amor. O texto emudece o leitor, em sua profundidade intensiva. Giovanna Bartucci reage a este mandato, recupera sua fala, invoca pulso e contorno, ali mesmo onde o amor se desmancha em líquidos. Ela responde ao encontro com vitalidade e ternura, fazendo-nos atentar para a profundidade da ferida de uma morte em vida, ferida-doença, que, instalando no ser um vazio, lugar de ninguém, impede, como uma dor anônima a chorar, a plenitude do amor como fator de transformação do sujeito na relação com o outro.

Camila Pedral Sampaio, psicanalista