
A cada ciclo econômico, as agências de pesquisa municiam as agências de publicidade, que convencem os anunciantes de que um novo perfil de consumidor apareceu. Foram os yuppies, nos 80. No auge da exuberância irracional norte-americana, eram os BoBos, os burgueses boêmios. Agora, são os metrossexuais.
Metrossexual, ou “metrosexual” no original inglês, contração de heterossexual com metropolitano. Essa a sua definição: um empreendedor bem-sucedido, entre 25 e 45 anos, que vive nas grandes cidades e se preocupa com seu aspecto visual, se dedica a essa preocupação e gasta com ela, como fazem seus colegas gays do mesmo extrato social.
Com uma diferença fundamental: o metrossexual é macho.
Ou, como disse à. Folha Marian Salzman, diretora executiva de estratégia da Euro RSCG em Londres e coordenadora do estudo “O Futuro dos Homens”, que popularizou o termo na mídia e ganhou as páginas do “The New York Times”: “Cada vez mais homens comuns estão começando a apresentar qualidades metrossexuais mesmo sem saber”.
O termo foi usado pela primeira vez em 1994 pelo escritor gay Mark Simpson, no artigo “La vêm os homens do espelho”, publicado pelo jornal britânico “The Independent”. Passou anos na gaveta para ganhar força total nos últimos meses, muito por conta do estudo da Euro RSCG e do rebuliço que ele causou no mercado de produtos voltados à. vaidade masculina ao declarar que a tribo pode unir até 15% dos homens desta faixa etária nas grandes cidades.
Os metrossexuais lêem “Details”, “GQ” e “Vanity Fair”, revistas que dividem suas capas em igual número entre homens bonitos e mulheres bonitas, usam roupas de grife, discutem as novidades da linha masculina da Clinique e são capazes de fazer um ranking com os cinco melhores “day spas” de qualquer capital européia em questão de segundos. Segundo a pesquisa, que ouviu 519 britânicos e o mesmo número de norte-americanos, 49% deles acham perfeitamente normal um homem fazer limpeza de pele e manicure e 39% aprovam a cirurgia plástica masculina.
O representante supremo é o jogador de futebol britânico David Beckham, do Real Madrid, que pinta as unhas, muda o corte e a cor do cabelo como quem troca de camisa no final do jogo, gasta milhares de libras com produtos de beleza e confessou já ter usado algumas vezes as calcinhas da mulher, a ex-Spice Girl Victoria.
Seu equivalente norte-americano é o ator Brad Pitt, casado com a também atriz Jenniffer Aniston, que planeja por semanas a posição exata de cada fio de seu cabelo “despenteado” e é um dos maiores salários do cinema. “Hollywood, aliás, é um celeiro de metrossexuais”, disse Salzman.