ENTREVISTA - Tv Para A Familia Não Ver
O educador mostra que era mesmo “noveleiro” de carteirinha. “Ficou claro que a Raquel já tinha tido uma relação dessas com aluno em outra cidade, e que o Marcos também causara danos a este outro rapaz. A repercussão mostrada na formatura também foi irreal, porque uma professora de ensino médio que, indiretamente, causa a morte e depois engravida de um aluno seria um escândalo, prejudicaria a imagem de qualquer escola. Na ‘vida real’, ela seria demitida por justa causa na hora”.

Pai pode bater? A cena em que Dóris apanha do pai na cara e de cinto, depois que ele a pega no quarto do hotel com um homem, chocou até alguns que torciam por um castigo severo para a megera.

“A limitação através da violência não é educativa. Não se bate em filhos nem se deve humilhá-los nunca. Assim, a jovem pode aprender a colocar limites através da violência e da humilhação, ficar com ódio mortal de qualquer autoridade e desafiar a todas ou ainda iniciar um processo severo de inibição de desejo que vai anulá-Ia para o resto da vida”, diz o psicólogo Miguel Perosa, da PUC-SP.

Na visão de Giovanna Bartucci, 41, membro do departamento de psicanálise do lnstituto Sedes Sapientiae, a surra deseduca. “Carlão conduziu mal a educação da filha por anos, omitiu-se e submeteu-se a ela. Quando finalmente resolveu assumir seu papel de pai e botar limites na menina, foi porque ficou com vergonha de ela estar virando uma garota de programa?”

A mãe de Dóris também é atacada pela psicanalista. “Ela sempre foi conivente com as atitudes erradas da filha e não se transformou, não aprendeu nada. Quase nenhum personagem se repensou e mudou, porque o objetivo da novela não era educar, instaurar uma reflexão. As coisas aconteciam, mas parecia que ninguém tinha responsabilidade sobre si mesmo”.

Giovanna cita como exemplo de “novela reflexiva” “0 Clone” (2002), de Glória Perez. “A menina Mel (Débora Falabella) foi muito bem trabalhada e trouxe junto uma excelente campanha antidrogas. O público pôde ver como ela entrou no vício, quais os motivos, acompanhou seu longo caminho de recuperação, aprendeu que ela não saiu do fundo do poço de graça”, observa.

Para a psicanalista, as únicas personagens bem construídas de “Mulheres Apaixonadas” eram Santana (Vera Holtz), a alcoólatra que conseguiu largar o vício depois de quase morrer, e as jovens lésbicas Clara (Alinne Morais) e Rafaela (Paula Picarelli). “Mas acho que isso se deve mais a atuação delas do que ao texto do autor”.

De qualquer forma, o tão badalado capítulo final não frustrou suas expectativas. “Não da para esperar mensagens educativas no último capítulo de uma novela que não foi educativa desde o início”, avalia Giovanna. A Revista procurou o autor Manoel Carlos. Mas sua assessoria informou que ele está em férias”.
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